sábado, 2 de agosto de 2014

Aeroporto de Cláudio: no mínimo, um erro crasso do governo de Minas.

 

Tanto no planejamento quanto na execução, o "aecioporto" deixou a desejar. Os valores foram bisonhamente subestimados e a prática do projeto foi incoerente, uma vez que cidades importantes ficaram de fora do PROAERO em detrimento da "cidade dos apelidos".

 

Desde o dia 20 do mês passado, quando a Folha de São Paulo publicou uma denúncia contra o presidenciável do PSDB, o caso do aeroporto de Cláudio figura entre os mais comentados do país. Entre notas oficiais, representações no MP e notícias na imprensa e blogosfera, o fato que salta aos olhos é que muitas coisas devem ser explicadas para interesse da população, uma vez que, pelo andar da carruagem, pode-se confirmar um ato não só antiético do ex-governador de Minas, como também bem ineficiente (vale lembrar que Aécio se gaba pela ética, transparência e boa gestão pública).  Dentre as novas revelações que apareceram desde meu último post, destaca-se o uso indevido da pista não homologada, o valor que o governo de MG pode perder para o a família Neves de quase vinte e um milhões de reais e o imbróglio que acontece nas terras desde 2001

 

Planejamento do aeroporto em si parece ser bem ineficaz


Se anteriormente escrevi "uma pequena contribuição", agora decidi ir um pouco mais a fundo na questão do planejamento do PROAERO, que continua bastante controverso. Vale ressaltar que, tanto o PSDB em nota, quanto o próprio neto de Tancredo já frisaram que o aeroporto foi reformado e planejado por critérios técnicos e para o bem da população. Como esses estudos são de interesse nacional, imaginei que eles estivessem disponíveis em algum lugar e procurei até encontrar algo. Para minha surpresa, no site da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (SETOP) não foi possível achar tais documentos, todavia consegui encontrar o planejamento em eventos (de certa maneira) acadêmicos: [1] no VII SITRAER, de novembro de 2008; [2] no 1ª seminário nacional de logística e 10º seminário de transporte, de novembro de 2010 e [3] no V CONSAD, de junho de 2012.
Depois de analisar com cuidado os artigos [1] e [3] e a apresentação .ppt [2] é possível verificar que a obra do aeroporto de Cláudio foi executada de uma maneira, no mínimo, um pouco negligente. Tanto os valores envolvidos no planejamento não foram contemplados (o preço final do aeroporto foi superfaturado), como o prazo para aeroportos bem mais importantes foram atropelados em detrimento da sua construção. Em tópicos, resumo aqui o que considerei de mais relevantes nos estudos (recomendo, fortemente, que vocês leiam todas as referências para melhores conclusões): 
  •   O Aeroporto foi considerado irrelevante inclusive no PROAERO: Pelo planejamento presente em [1] e [2] o aeroporto de Cláudio se quer é considerado relevante para a região.  As figuras A (situação atual segundo [1]),  B (situação desejada em 2011 segundo [1]) e C (visão de futuro segundo [2]) mostram o antes e o depois da malha aeroviária mineira segundo os planejamentos do PROAERO. Rapidamente, um questionamento vem em mente: porque Cláudio, um município tão importante, um pólo de metalurgia da América Latina, ficou de fora dos desenhos da malha aeroviária futura? Aliás, pode-se notar que o aeroporto da região de Lagoa da Prata - que foi descartado pela SETOP em 2012 (como falei no post anterior) - estavam nos planos anteriores do PROAERO. Tem explicação abrir mão de um pelo outro?
De [1]: Malha aeroviária de Minas em 2006: o status do Proaero no ano correpondente.

De [1]: Previsão para a malha aeroviária em 2011: segundo o estudo, como deveria ficar (enquanto Cláudio está fora, Ouro Preto, Itabira e Lagoa da Prata estão no estudo).


De [2]: Na apresentação de 2010, 2 anos depois, Marco Migliorini vislumbrou uma malha completa, mas sem Cláudio outra vez.
  •   O Valor foi muito mal calculado: Observa-se, ainda, que os valores envolvidos no planejamento a priori não batem com o desembolsado pelo governo. E é curioso acontecer isso, uma vez que o governo mineiro é conhecido pela "gestão eficiente". Pela tabela 7 de [1] nota-se que o valor estimado para obras em aeroportos seria de, aproximadamente, R$ 64.000.000. Um cálculo rápido demonstra que Cláudio levou, só com obras (R$ 14.000.000 - sem contar a desapropriação), cerca de 22% desse valor. A coisa é tão díspare que se considerarmos apenas os seis aeroportos que deveriam ser construídos, em uma distribuição linear, cada um levaria por volta de dez milhões de reais. Ressalta-se aqui, que cidades mais importantes como Itabira e Ouro Preto ficaram de fora (comento mais abaixo).
    Gastos previstos segundo estudos: Cláudio levou 22% desse valor.
  •   O estudo não condiz com a realidade apontada pelo próprio PSDB: O aeroporto de Cláudio era para entrar como "melhoramento" ou "pavimentação". Por que foi considerado (e consequentemente planejado) como "Novo aeroporto"? O próprio partido questionou essa denominação do Proaero.
  •   O planejamento foi atropelado em prol da construção do aecioporto: Como pode-se verificar em [1] os aeroportos de Sete Lagoas e Chapada Gaúcha deveriam ficar pronto em 2009 e não foram. Cláudio, entretanto, era previsto para 2010 e foi feito no prazo! Detalhe para o importância indutrial e regional das cidades deixadas pra trás: SL tem o PIB quinze vezes maior que Cláudio e a CG fica numa região carente de aeroportos inclusive locais (lembrando que Cláudio fica do lado de Divinópolis). A estratégia óbvia seria concluir os primeiros, de 2009, para depois seguir para os de 2010;
  •   Se não tivesse sido feito como prioridade, Cláudio não sairia do papel: Pela reformulação do PROAERO em 2010, visto em [2] e [3], a cidade de Cláudio estaria dentro do raio de Divinópolis (100km) e, portanto, não teria necessidade da realização do aeroporto. Consequentemente, o governo mineiro errou ao priorizar essa cidade e deixar municípios como Itabira, Lagoa da Prata, Ouro Preto e outros para depois.

Mini estudo de caso: Itabira x Cláudio

 

Itabira, como se vê, poderia ter sido uma cidade igualmente contemplada pelo PROAERO segundo os planejamentos apresentados. Eu nasci em BH mas sou itabirano de coração, uma vez que passei grande parte da minha infância na cidade e, nos dias atuais, sempre que posso visito amigos e parentes por lá! Meus pais são naturais de lá, assim como tios e primos, por isso posso dizer que vivi de perto como funciona uma cidade embalada por uma multinacional.

Itabira é a cidade onde nasceu a Vale, por isso é muito (mas muito mesmo) difícil que Claudio tenha qualquer importância geopolítica maior que a terra de Carlos Drumond! Fica então a pergunta: por que Cláudio foi escolhida em detrimento de Itabira?
Seria o PIB? Itabira tem o PIB aproximadamente quatorze vezes maior que o de Cláudio. São quase 4,8 bilhões de reais contra 340 mil.
Seria o aeroporto local? Na região de Itabira não existe aeroporto regional (e nem Local) com a proximidade que existe em Cláudio. Ipatinga fica a 111 km de Itabira, quase o dobro da distâcia entre Divinópolis e Cláudio. Aqui vale ressaltar um fato interessante: o leste mineiro realmente carece de uma boa malha aeroviária. Um aeroporto em Itabira, segundo a própria SETOP, beneficiaria São Gonçalo do Rio Abaixo, que tem quase 2,8 bilhões de PIB. Sem falar nas cidade de Barão de Cocais e João Molevade, todas relevantes para a indústria mineira.
Seria a população? Itabira tem a população estimada (para 2013 segundo o IBGE) quatro vezes maior que a de Cláudio. Sem falar no turismo itabirano que, certamente, é bem superior.
Seria o valor? Já vimos que um Aeroporto no Ceará (coloquei no post anterior) foi construído por 19 milhões de reais e tem uma boa infraestrutura. Será que com 14 milhões não daria para fazer um bom aeroporto? Se não, como foram calculados os valores pelo SETOP?

O que é então? Essa pergunta eu deixo para vocês (ou o próprio Aécio que gosta muito de "conversar") responder... O que leva Cláudio a ter um aeroporto e não Itabira? 

 

Fatos relevantes

A página da SETOP está fora por causa dos períodos eleitorais o que dificulta o acesso às informações diretamente oficiais. Seria importante verificar os nomes presentes nos artigos - Julio César Diniz De Oliveira, Marco Antonio Migliorini e Rubens da Trindade - e suas posições dentro da SETOP. O que pude verificar numa rápida pesquisa do Google (não quer dizer q é verdade) foi que: Júlio já foi (ou é) Gerente do Proaero, Acessor de aeroportos da SETOP e coordenador de projetos de infraestrutura; Já Marco ocupou (ou ocupa) a posição de Diretor de Infraestrutura Aeroviária da SETOP, e Rubens já trabalhou (ou trabalha) na secretária de turismo e como gestor do núcleo de convênios no governo mineiro. Obviamente, na internet podemos encontrar de tudo, então, seria melhor verificar junto aos órgãos oficiais.

Navegando num fórum da internet, num tópico sobre aeroportos no interior de Minas, encontrei uma notícia do Anastasia anunciando a segunda fase do Proaero. As notícias oficiais, vindas do site do governo de minas, não podem ser mais encontradas: vejam aqui e aqui.

Mais detalhes sobre os estudos: [1] Programa aeroportuário de Minas Gerais, por Julio César Diniz De Oliveira e Marco Antônio Migliorini; [2] Readequação da malha aeroviária: cenários exploratórios apresentado, por Marco Migliorini e [3] Perspectivas para a política aeroportuária no estado de minas gerais: inovação e redesenho das ações frente ao novo cenário de descentralização, delegação e concessão de aeródromos públicos da união, por Rubens da Trindade.

 No artigo [3], de 2012 quando o aecioporto já estava pronto, na página 8, Rubens da Trindade cita as cidades que receberam investimento até 2010. Coincidentemente, das 23 cidades citadas no texto, duas não aparecem no desenho: Cláudio (tão importante mas fora de novo) e Ouro fino.

Em mais uma figura, o importante aeroporto de Cláudio é menosprezado (mesmo sendo citado no parágrafo anterior).

 

Opinião


Sinceramente, quanto mais pesquiso concluo que o governo não tinha alguma justificativa palpável para fazer esse aeroporto. Cláudio não só é uma cidade irrelevante do ponto de vista econômico e populacional (quando comparadas a muitas outras cidades mineiras), como territorialmente não justifica priorizar um local que tem um aeroporto tão completo, como o Divinópolis, numa proximidade. Ademais, ver regiões como o leste mineiro depender apenas de Ipatinga, Guanhães ou Valadares é bem incoerente. Certamente, Itabira ou Barão de Cocais mereciam um melhor investimento e com a prioridade maior que a de Cláudio.

Aécio tem muito o que explicar, pois, para o azar dele, o aeroporto fica a 6km da fazenda que ele, assumidamente tanto gosta de frequentar. Muitas pessoas podem acreditar que ele usou o governo (desde o planejamento até a execução do projeto) para poder beneficiar não só a ele, mas também os familiares, com esta pista tão conveniente para seus interesses particulares. Espero que o ex-governador (como o homem público que é)  possa provar que, efetivamente, Cláudio é uma cidade que merecia tal aeroporto, com tal investimento e prioridade.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Caso "aécioporto": uma pequena contribuição


Desde que a Folha de São Paulo surpreendentemente publicou uma denúncia grave contra o atual candidato a presidência da república pelo PSDB, senador Aécio Neves, inúmeras questões foram levantadas sobre o assunto, principalmente na blogosfera. Mesmo a grande mídia, a despeito da morosidade apresentada, destacou o fato (pra mim mais pra defender Aécio, mas a notícia em si já é um avanço), o que fomentou ainda mais as discussões.

Depois de ler um bocado sobre o Aeroporto de Cláudio, uma conclusão bem sólida me ocorreu: o caso está muito mal contado e o presidente do PSDB deve muitas explicações à população brasileira. Inferi que o caso é bastante controverso, principalmente pela ajuda que tive ao ler os questionamentos levantados nos blogs progressistas. Aqui ilustro alguns:

1) No Tijolaço, Fernando Brito comparou que o valor da obra, aproximadamente 14 milhões, destoa muito de valores atuais: Muriaé-MG e Acarai-CE possuem aeroportos mais modernos e foram mais baratos;
2) No Blog da cidadania, Eduardo Guimarães lembrou que Aécio tem forte ligação com a fazenda da família a 6km do aeroporto "o palácio de Versalhes dos Neves" o que levanta fortes suspeitas sobre o fato da pista ter sido feita com objetivos particulares e singulares do ex-governador e sua família;
3) O Blog do Saraiva (e outros, não me lembro quem publicou primeiro), apontou que a empresa que ganhou a licitação para reformar o aeroporto fez doações de campanha para Aécio 2006 e Anastasia 2010;
4) O poços 10 foi mais a fundo - : ) - e denunciou um esquema para apropriação de terras da família Neves;
5) Já no conversa afiada, do Paulo Henrique Amorim, foi destacado os deslizes que Aécio cometeu no JN, totalmente compreensível, afinal é muito difícil argumentar o inexplicável.
 6) Por fim, o crítico de cinema Pablo Villaça, reproduzido pelo blog do Luiz Muller, levantou a dúvida sobre a verdadeira posse do Estado uma vez que o terreno está em litígio. Aliás, se o Tio do Aécio ganhar a ação vai receber ainda mais dinheiro do governo mineiro (não entendo nada de imissão de posse e só ouvi falar nisso na polêmica de uma prova da OAB que minha irmã fez).

Minha contribuição Pessoal

Como estou me aventurando nessa vida de blogueiro, tenho aqui meu próprio questionamento. Não é estranho que todos os trâmites do Proaero (programa de governo para ampliar aeroportos em Minas) tenham cirurgicamente atendido o Aeroporto de Cláudio no tempo certo? Entendam:
 Na página do DER-MG podemos encontrar que: "O objetivo do programa é dotar o Estado de uma rede de aeroportos de pequeno e médio porte, com o objetivo de impulsionar a aviação regional e sub-regional, melhorando as condições de transporte de carga e passageiros.  “Quando o programa estiver concluído, haverá a redução da distância média da sede de um município, por meio de rodovia pavimentada, a um aeroporto, de 94 quilômetros para 46,6 quilômetros”, destacou o gerente do Proaero, Marco Migliorini."

Essa informação bate com a matéria do jornal O Tempo, de abril de 2012. Contudo, nesta época, o subsecretário de Regulação de Transportes, Diogo Prosdocimi, da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop-MG), revelou uma mudança de planos com relação a distância na qual um aeroporto pode atender uma cidade: "Os 46 km de distância estão descartados porque não é razoável. É muito pouco até para ter topografia e conseguir encaixar um aeroporto".

Vejam que quando tudo mudou, em 2012, o processo para a reforma aeroporto de Cláudio já havia sido concluído (A documentação para homologação do aeroporto foi enviada à Anac em 22 de julho de 2011, segundo nota do PSDB). Observem, também na matéria do tempo, que o projeto original dos 100km era de 2008, coincidentemente o ano que Aécio desapropriou a terra do Tio (aqui um link do Reinaldo Azevedo mostrando sua usual indignação com a corrupção desse país #SQN).

Ou seja, em 2008 o governo de Minas tinha o amparo do Proaero para reformar o Aeroporto do Cláudio, o que durou até 2012, e deu tempo para o estado mineiro licitar e realizar as obras. Pouco depois que o "aécioporto" ficou pronto, o Proaero mudou! Como a família Neves tem sorte!

Ressalto aqui que Lagoa da Prata foi descartada  pelo Setop-MG por ser muito perto de Divinópolis: Sobre Lagoa da Prata, o subsecretário disse que é muito próximo de Divinópolis. "É certo dizer que se fez o melhoramento de Divinópolis para atender a Lagoa da Prata.". Incrivelmente, Lagoa da Prata-Divinópolis tem quase o dobro da distância de Cláudio-Divinópolis.

sábado, 19 de julho de 2014

A seriedade da Carta Capital e o debate superficial nas eleições

A Carta Capital noticiou, como deveria de ser, a últimapesquisa datafolha com as intenções de voto para a disputa do planalto: exaltando o “fato novo” nos resultados, ou seja, o empate técnico entre Aécio e Dilma num possível segundo turno. Esse resultado é muito bom para o presidenciável tucano, que agora pode, entre outras coisas, tentar atrelar a alta rejeição da presidente Dilma à necessidade de mudança democrática no país.
Mesmo sendo conhecidamente uma revista de esquerda e ter declarado apoio a reeleição da Dilma antes mesmo da corrida eleitoral oficial, a Carta Capital deu um exemplo de jornalismo sério e noticiou o resultado da pesquisa destacando, inclusive no título, a vantagem “moral” que o ex-governador mineiro ganhou com o segundo turno, já que as intenções de votos do primeiro continuaram estáveis e sem alguma mudança significativa.

Sempre quis escrever um texto assim, de argumentar a favor da boa qualidade da Carta Capital (afinal, sou assinante da revista e a leio com muito prazer). Época de eleições intensifica o debate político e aumenta a participação de toda a população nas discussões acerca do cenário social, econômico, midiático entre outros. Todavia, a entrada de mais cidadãos nas argumentações angariam pessoas com baixo interesse na política e que acabam tendendo para um debate superficial e, principalmente, pautado pelas grandes mídias. Veículos esses, que representam interesses de uma classe que espera ter cada vez mais poderes, a elite.

Um exemplo de argumento superficial é utilizado para defender a Veja. É muito comum escutar ou ler a justificativa para os ataques da revista da editora Abril como “faz parte da ideologia! Pegue a Carta Capital, por exemplo, que é pró governo...”. Comparar as duas mídias por causa de “ideologia” na verdade nada contribui para o bom debate, ao contrário, atrapalha a visão coerente dos fatos.
Em primeiro lugar, a Veja não tem posição definida, como a CC. Ela não vai a público se manifestar diretamente sobre ser de direita ou mesmo sobre seu candidato preferido e essa covardia é uma das marcas da sujeira do veículo. Em segundo lugar, os indícios que a editora Abril é fortemente financiada pelo lobby de diversos tipos traduzem que a “ideologia” da revista provavelmente é a de “quem pagar mais leva”. E como a elite maioritariamente é oposição, a Veja (e a grande mídia em geral) acaba gastando forças, até demais e sem escrúpulos, para criticar e atacar o governo. Por último, e aqui vai um exercício para quem duvidar do que escrevo, é bem tranquilo achar critica ao PT na CC, entretanto é praticamente impossível achar elogios ao partido dos trabalhadores na Veja (podem procurar).

É fácil observar a verdadeira ética jornalística quando se entende e se acompanha de perto os fatos políticos no país. Quem não é de esquerda, obviamente, tem todo o direito de não concordar com as opiniões e os editoriais da CC, contudo, deve-se fazer muita vista grossa para não enxergar o quão antiética a Veja se comporta quando ataca o governos sistematicamente. 



P.s. Não se pode esquecer a vergonha que foi o Jornal Nacional omitir descaradamente a subida da Dilma nos últimos meses e agora que a presidente "caiu"(oscilou na margem de erro) e a o Aécio cresceu no segundo turno inventou uma desculpa muito esfarrapada para mostrar os números. Incrível...
 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Queda de braço entre PT e PSDB sobre o bolsa família ajuda a imagem do programa.

PSDB tenta modificar o PBF perto das eleições para se aproximar ainda mais da camada pobre, enquanto o PT tenta manter a imagem soberana sobre o programa. No final, uma vitória é garantida: o bolsa família bate mais uma vez o preconceito.



Na última quarta-feira, dia 28/05, a Comissão de Assuntos Sociais do senado aprovou, por 10 votos a 9, um projeto de lei da autoria do senador Aécio Neves (PLS 458/2013) que modifica um dos programas de transferência de renda mais reconhecidos e premiados no mundo, o bolsa família (PBF). Essencialmente, o ex-governador tucano pretende estender o pagamento do benefício em seis meses mesmo que o ganho salarial da família ultrapasse o teto do programa. Ademais, o projeto prevê a obrigatoriedade de frequência em cursos profissionalizantes para familiares participantes que tenham mais de dezoito anos.

Particularmente, penso mesmo que seja uma manobra "eleitoreira" da oposição, uma vez que faz parte do jogo político praticado no Brasil (e em quase todo mundo, arrisco dizer) essas atitudes que visam, apenas, angariar mais votos ou poder político. Acredito que o próprio PT pratica isso, e, portanto, não culpo totalmente o Aécio pela atitude, entretanto tem-se que avaliar bem se as mudanças propostas são mesmo válidas. Nesse sentido, compartilho aqui as palavras da ministra do desenvolvimento social, Tereza Campello, que criticou as modificações sugeridas pela nova lei. Obviamente, acredito que o debate ainda deve ser ampliado acerca dessa PLS (e de outras que porventura vier) em prol da melhoria contínua do PBF, o que seria ótimo para o Brasil.

A despeito de toda essa briga de foice (e martelo - ba, dum, tss), pode-se destacar um fato importante: mais uma vez o bolsa família derrotou o preconceito. Pessoas que, assim como eu, são entusiastas do programa desde a sua criação em 2004, sabe das dificuldades enfrentadas para defender o benefício. No início era ainda mais difícil, sem ter todos os resultados positivos do PBF para destacar, apesar de ser até simples defende-lô quando se deixa o preconceito de lado e se pensa na importância que R$70,00 per capita pode fazer na vida de quem vive na miséria. Desde sempre, nota-se facilmente que a discriminação foi - e infelizmente é - uma das maiores bases que fomentam os argumentos contra o benefício. Todavia, com a oposição abraçando de vez bolsa família, os contrários a ele perdem cada vez mais vozes que justifiquem sua intolerância. É interessante, por exemplo, ver o DEM (partido mais ligado a direita do Brasil) e o PSDB  votarem a favor da ampliação programa, já que esses partidos já proferiram duras críticas ao mesmo. Com as principais lideranças políticas do país reconhecendo a importância do benefício, aos eleitores que são contra -  boa parte dos democratas, acredito - restaram apenas os rottweilers da extrema direita do país como ajuda "intelectual" para seus fundamentos.

Vale ressaltar, ainda, que os próprios PSDB e DEM (com a cooperação de sempre da velha mídia) devem utilizar o bolsa família como bandeira eleitoral, o que deve aumentar a aceitação do programa entre os cidadãos brasileiros de direita. Consequentemente, será muito bom para o nosso país que um programa que tirou (e tira) milhões da miséria seja cada vez mais valorizado!




P.s. Pra quem ainda duvida da importância e dimensão do programa, segue um ótimo guia feito pelo Bruno Barros (twitter: @ilustreBOB) sobre o bolsa família.







sexta-feira, 30 de maio de 2014

Eduardo Campos no roda viva foi a velha nova política

Pré candidato à presidência pelo PSB, o neto de Miguel Arraes pouco acrescentou ao debate da corrida ao planalto de 2014.

 

Logo no começo do primeiro bloco, o ex-governador do Pernambuco falou da necessidade existente de uma nova política no nosso país e ainda se mostrou uma via para tal feito. Palavras promissoras e que até empolgam, o que fez a minha frustração com Campos ser ainda maior ao final de um dos programas de entrevista mais populares do Brasil.

Comandado pelo péssimo Augusto Nunes (que representa muito bem a revista a qual escreve), o Roda Viva do dia 26/05/2014 não acrescentou muita coisa na disputa eleitoral desse ano. Muito disso se deve a postura extremamente conservadora de Eduardo, que teve um discurso muito parecido com o da Marina em 2010: somos uma terceira via e reconhecemos erros e acertos do PSDB e do PT, ou seja, vamos ficar em cima do muro e pegar votos de quem, a priori, não gosta de nenhum dos dois partidos.

Além de apresentar a mesma postura da ex-senadora, Campos ainda usou e abusou de bandeiras velhas do jogo político: elogiou a imprensa (deu nojo!!);  falou em cortar pela metade os ministérios; criticou as políticas de taxa de juros, inflação, impostos e crescimento, sem ao menos explicar como vai melhorar ou mesmo como elas funcionam; e falou em não ter coalizão com os "cacifes" do velha política brasileira. Essa última afirmação é tão fora de realidade que com menos de uma hora o entrevistado se contradisse numa pergunta da representante do jornal Valor Econômico - Maria Cristina Fernandes (a atuação que salvou o Roda Viva, como bem destacou o Paulo Nogueira do DCM).

O que também se pode observar no programa, foi uma postura recuada de Campos com relação ao ex-presidente Lula (o que indignou alguns entrevistadores especialmente Nunes que se prestou à um papel ridículo), e o senador Aécio Neves. Com isso, Eduardo concentrou toda sua artilharia em Dilma, com críticas pertinentes, como as alianças nacionais do PT, e outras oportunistas e eleitoreiras - certa hora ele fala que o PSB vai manter os bons níveis de emprego, mas no último bloco ele fala que a população está preocupada demais com o desemprego.

No geral, Campos me decepcionou. Ficou clara a tática dele, provavelmente em conjunto com Aécio, de tirar o máximo de votos da Dilma agora (no começo da disputa) para depois, já na reta final - "as eleições só começam depois do sete de setembro" - disputar com o tucano quem vai para o segundo turno. Eduardo tem boa retórica e bom conhecimento político, poderia trazer para a eleição debates realmente novos e pertinentes mas preferiu jogar o velho jogo. Sendo assim, pelo caminho que as eleições estão trilhando, com Aécio abraçando de vez o conservadorismo e Campos no mesmo "blá blá blá" da Marina, acho que teremos uma disputa muito parecida com 2010. Em termos da eleição em si, quem ganha com isso é o partido dos trabalhadores, que vai jogar um formato de campeonato no qual é tricampeão!


P.s. o melhor do roda viva é ver o desespero do Augusto Nunes para difamar o Lula. Ali podemos ver bem o ódio que ele, e provavelmente a própria Veja, nutre pelo nosso ex-presidente.