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sábado, 19 de julho de 2014

A seriedade da Carta Capital e o debate superficial nas eleições

A Carta Capital noticiou, como deveria de ser, a últimapesquisa datafolha com as intenções de voto para a disputa do planalto: exaltando o “fato novo” nos resultados, ou seja, o empate técnico entre Aécio e Dilma num possível segundo turno. Esse resultado é muito bom para o presidenciável tucano, que agora pode, entre outras coisas, tentar atrelar a alta rejeição da presidente Dilma à necessidade de mudança democrática no país.
Mesmo sendo conhecidamente uma revista de esquerda e ter declarado apoio a reeleição da Dilma antes mesmo da corrida eleitoral oficial, a Carta Capital deu um exemplo de jornalismo sério e noticiou o resultado da pesquisa destacando, inclusive no título, a vantagem “moral” que o ex-governador mineiro ganhou com o segundo turno, já que as intenções de votos do primeiro continuaram estáveis e sem alguma mudança significativa.

Sempre quis escrever um texto assim, de argumentar a favor da boa qualidade da Carta Capital (afinal, sou assinante da revista e a leio com muito prazer). Época de eleições intensifica o debate político e aumenta a participação de toda a população nas discussões acerca do cenário social, econômico, midiático entre outros. Todavia, a entrada de mais cidadãos nas argumentações angariam pessoas com baixo interesse na política e que acabam tendendo para um debate superficial e, principalmente, pautado pelas grandes mídias. Veículos esses, que representam interesses de uma classe que espera ter cada vez mais poderes, a elite.

Um exemplo de argumento superficial é utilizado para defender a Veja. É muito comum escutar ou ler a justificativa para os ataques da revista da editora Abril como “faz parte da ideologia! Pegue a Carta Capital, por exemplo, que é pró governo...”. Comparar as duas mídias por causa de “ideologia” na verdade nada contribui para o bom debate, ao contrário, atrapalha a visão coerente dos fatos.
Em primeiro lugar, a Veja não tem posição definida, como a CC. Ela não vai a público se manifestar diretamente sobre ser de direita ou mesmo sobre seu candidato preferido e essa covardia é uma das marcas da sujeira do veículo. Em segundo lugar, os indícios que a editora Abril é fortemente financiada pelo lobby de diversos tipos traduzem que a “ideologia” da revista provavelmente é a de “quem pagar mais leva”. E como a elite maioritariamente é oposição, a Veja (e a grande mídia em geral) acaba gastando forças, até demais e sem escrúpulos, para criticar e atacar o governo. Por último, e aqui vai um exercício para quem duvidar do que escrevo, é bem tranquilo achar critica ao PT na CC, entretanto é praticamente impossível achar elogios ao partido dos trabalhadores na Veja (podem procurar).

É fácil observar a verdadeira ética jornalística quando se entende e se acompanha de perto os fatos políticos no país. Quem não é de esquerda, obviamente, tem todo o direito de não concordar com as opiniões e os editoriais da CC, contudo, deve-se fazer muita vista grossa para não enxergar o quão antiética a Veja se comporta quando ataca o governos sistematicamente. 



P.s. Não se pode esquecer a vergonha que foi o Jornal Nacional omitir descaradamente a subida da Dilma nos últimos meses e agora que a presidente "caiu"(oscilou na margem de erro) e a o Aécio cresceu no segundo turno inventou uma desculpa muito esfarrapada para mostrar os números. Incrível...
 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Veja defende Aécio: parceria cachoeira-policarpo parece não ter fim!

Revista da editora abril sai em defesa do presidenciável tucano e, para não perder o costume, ataca o PT por tentativa de difamação na rede.


A veja dessa semana traz uma matéria interessante sobre como o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, vem sendo vítima de "ataques cibernéticos" contra a sua reputação. Sem surpresa alguma, um dos blogueiros mais atuantes do domínio veja já se tratou de vincular o fato ao PT.

Atacar o PT parece ser a única motivação da Veja e, em anos de eleições, a revista parece não ter nenhum limite (nem mesmos da ética jornalística) para cumprir essas vontades. Uma reportagem mais imparcial sobre ataques na internet, poderia, por exemplo, abordar a utilização de "rôbos" no caso dos embargos infrigentes na AP470.

Mas vale a pena lembrar que a Veja sair em defesa de Aécio não deve ser apenas coincidência: pode-se considerar o caso Cachoeira-Policarpo-Demóstenes, velhos conhecidos do senador mineiro (relembre: "Aécio defendendo Demóstenes" e "Aécio dá emprego a prima de cachoeira").

O bicheiro Carlinhos Cachoeira foi condenado por denúncias oriundas da operação Monte Carlo da polícia federal. Entre as provas obtidas contra ele, existem escutas que provam diretamente o relacionamento do contraventor com Policarpo Jr., um dos editores-chefes da revista Veja. Soma-se a essa relação o ex-senador Demóstenes (ex-DEM), também fortemente presente nas escutas da PF - o que o levou a ser cassado - e tem-se uma mistura poderosa de dinheiro, poder e mídia.

Fica cada vez mais difícil acreditar e confiar nessa revista. E, obviamente, não surpreende a ninguém ver Aécio utilizando dessa sujeira para poder, não só desqualificar as denúncias que lhes são atribuídas, como também atacar seu principal adversário político. Vale esperar para ver se as denúncias vão mesmo surtir algum efeito positivo na candidatura do candidato do PSDB. Mas, sinceramente, acredito que a Veja cada vez mais perde prestígio e o ex-governador mineiro vai ter que fazer muito mais que isso para disparar nas pesquisas.